FBA Mixtape Vol.16

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Posted on : 11-01-2011 | By : festinhabobanoape

Rock & Roll!!! Que me desculpem os fãs, simpatizantes, estudiosos e paleontólogos de plantão do Velvet Underground, mas essa eu não conhecia. Lançada no quarto disco da banda, Loaded, em 1970, ressurgiu remixada em 2010 e veio abrir o ano de 2011 jogando o seu humor lá pra cima! Se você já conhecia, vai gostar da remixagem, se não conhecia, prepare-se, porque, depois que apertar play, nunca mais haverá um mundo sem “Rock & Roll”! Abraços!!!

P.S.: Até hoje não sei se o vídeo sensacional que achei no youtube é original ou algum desses feitos por fãs (alguém sabe?!), mas vale a pena ver (até o fim!) também! É só clicar aqui…

NOW PLAYING

00:00 / 1. Rock & Roll (Gigamesh Edit) – The Velvet Underground (1970 / 2010)
04:45 / 2. All Night, All Right – Clive Tanaka Y Su Orquesta (2011)
08:22 / 3. Why Don’t You Believe Me? – Small Sins (2010)
12:09 / 4. How Can U Luv Me – Unknown Mortal Orchestra (2010)
14:48 / 5. Beverly Kills – Ariel Pink’s Haunted Graffiti (2010)
18:28 / 6. Golden Haze – Wild Nothing (2010)
21:40 / 7. Me And The Moon (Twin Shadow Remix With No FX) – The Drums (2010)
24:48 / 8. Pogo – Eternal Summers (2010)
26:23 / 9. Three Trees (feat. Austin Fisher) – Tanlines (2009)
29:32 / 10. White Knuckles – Ok Go – Priors (2010)
32:36 / 11. Rolling In The Deep (Jamie xx Shuffle) – Adele (2011)
36:48 / 12. Cocaine Blues – Escort (2010)
40:56 / 13. Wishery – Pogo (2010)

A beijoqueira…

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Posted on : 10-01-2011 | By : festinhabobanoape

“os discos foram apenas uma pequena bolha no tempo” – “a era do disco foi uma anomalia” – Brian Eno.

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Posted on : 12-02-2010 | By : festinhabobanoape

Elfo do Senhor dos Anéis? Não, Brian nos anos 70…

Pelo menos os 3 primeiros tópicos abaixo você tem que ler, vale muito a pena… Estes são alguns trechos da entrevista recente em que Brian Eno, produtor musical de alguns dos melhores discos de David Bowie, Talking Heads, U2, entre outros, opina sobre arte, ciência, tecnologia, religião e o que mais aparecer pela frente. Para ler mais techos, se vc for assinante do uol ou da folha, clique aqui. Senão, a entrevista completa está em inglês clicando aqui. Como trilha sonora para leitura, uma das músicas por ele comentadas quando fala sobre a banda sueca ABBA. É só clicar no player abaixo…

Fragilidade humana

Outro dia, ouvi uma banda que tinha o pior cantor, o baterista mais fora de tempo e o guitarrista mais desafinado que já ouvi em um disco profissional e imaginei que pelo menos aquilo significava uma reação contra a perfeição do Pro Tools [programa de edição]. Um engenheiro que use Pro Tools teria resolvido o problema, mas aquela banda, na verdade, era uma celebração da fragilidade humana. Era tão crua que chegava a animar.

Fim de uma era

Creio que os discos foram apenas uma pequena bolha no tempo, e aqueles que conseguiram ganhar a vida com eles tiveram sorte. Não há motivo para que alguém tenha ganho tanto dinheiro com a venda de discos, exceto a coincidência de que aquele período era perfeito para isso. Sempre soube que a coisa acabaria, cedo ou tarde. Não havia como durar. Não me incomoda que isso aconteça, pois a era do disco foi uma anomalia.Foi mais ou menos como se, nos anos 1840, você tivesse uma fonte de banha de baleia que podia ser usada como combustível. Antes que o gás surgisse, se você comerciasse banha de baleia, poderia ser o cara mais rico do mundo. Mas o gás surgiu, e a banha de baleia passou a encalhar. Lamento, amigo: a história continua. Música gravada é a mesma coisa que banha de baleia. Algo mais terminará por substitui-la um dia.

Abba

Nos anos 70, ninguém admitia gostar do Abba [banda sueca]. Agora, tudo bem. É tão kitsch. O kitsch é uma desculpa para defender o fato de que as pessoas sentem uma emoção comum. Se é kitsch, é como se você emoldurasse a coisa e sugere que está sendo irônico. Mas na verdade não está. Está mesmo gostando da música. Gosto do Abba. Já gostava na época e não admitia. O esnobismo da época não permitia. Admito que, quando ouvi “Fernando”, não consegui mais guardar o segredo. O que me encantou nessa música foi a linha da cantora mais grave. Passei meses tentando aprender. Por isso deixei de ser cético e exagerei na direção oposta. Virei um grande fã.

Frank Zappa

Zappa [músico experimental americano, 1940-93] foi importante para mim porque compreendi que não tinha de fazer música como ele. Eu poderia ter feito muita coisa parecida com Zappa se ele já não as tivesse feito e me levado a compreender que não queria tentar aquilo. Não gosto de sua música, mas sou grato por ele tê-la criado. Aprende-se tanto com as coisas de que não se gosta quanto com aquelas de que se gosta. O lado da rejeição é tão importante quanto o da aprovação. Você define quem é e onde está pelas coisas que sabe não ser.

The Who e Velvet

Era um dilema para mim, quando estava acabando a escola -vou trabalhar com música ou pintar? [A banda britânica] The Who foi importante para mim quando eu estava decidindo se optaria pelas belas-artes ou pela arte popular. Sentia que eles haviam encontrado uma posição importante entre esses dois campos. Depois veio o Velvet Underground [banda norte-americana] e eles também deixaram claro que existia a possibilidade de trabalhar com um pé de cada lado da cerca. Isso me ajudou a decidir pela música.

Música na igreja

Se você refletir sobre a metade final dos anos 1950, quando tudo isso começou a acontecer para mim, a experiência de ouvir sons era muito diferente da atual. O estéreo não existia. Se você ouvia música fora da igreja, exceto música ao vivo, o que era muito raro, os alto-falantes eram minúsculos. A experiência era agradável, mas muito pequena. Assim, ir à igreja, um espaço especialmente projetado, repleto de ecos, encontrar um órgão, o órgão que meu avô construiu para a igreja que frequentávamos, e subitamente ouvir a música e o canto… Isso era uma experiência maravilhosa. Era como ouvir o disco de alguém em um radinho de pilha e depois assistir a um show da mesma pessoa em um estádio de 60 mil lugares. Imenso, em termos comparativos. Isso teve forte relação com meus sentimentos sobre som e espaço, um tema que se tornou muito importante para mim. Como o espaço influencia o som, qual é a diferença entre ouvir alguma coisa nesta sala e depois na outra sala? Seria possível imaginar outras salas em que se pode ouvir música? Isso também afetou a maneira como me sentia com relação à música como experiência comunitária, no sentido de que a música de que mais gosto, o canto em igreja, era realizada não por profissionais, mas sim por pessoas sem treinamento, apenas um grupo de pessoas comuns que eu via trabalhando durante o resto da semana na padaria ou entregando carvão.

1, 2, 3… gravando!

Vim de um lugarzinho esquisito [Eno nasceu em 1948, em Woodbridge, no Reino Unido] no qual meu interesse eram as ideias experimentais de Cornelius Cardew [compositor inglês, 1936-81], John Cage [compositor americano, 1912-92] e Gavin Bryars [compositor inglês], mas também a música pop. No pop, resultados e retornos eram importantes. O lado experimental se interessa mais pelo processo do que pelo resultado concreto -os resultados simplesmente aconteciam, e muitas vezes havia pouco controle sobre eles, além de muito pouco retorno. Veja o caso de Steve Reich [minimalista americano]. Era um compositor importante para mim, com suas primeiras peças em forma de gravações magnéticas e o modo de arranjar uma peça para que os músicos a executassem em velocidades diferentes, para saírem gradualmente de sincronia. Mas, quando gravava algumas peças, como “Drumming”, ele usava percussão orquestral tocada de forma dura e mal gravada. Ele não havia aprendido nada sobre a história da música gravada. Por que não considerar o que o mundo pop vinha fazendo em termos de gravação? Aquilo estava resultando em sons incríveis, produzidos por excelentes músicos com ótimo feeling para o que tocavam. Mas aquilo não valia nada para Reich, porque no mundo dele não existe retorno real. O que interessava a eles naquele mundo era apenas o diagrama da peça; a música existia simplesmente como indicador de um processo. Consigo perceber a lógica disso, de certa maneira; você quer simplesmente mostrar o esqueleto, sem muita frescura em volta, você quer simplesmente mostrar como fez o que fez. Já eu, como ouvinte que cresceu acompanhado pela música pop, me interesso por resultados. O pop é completamente orientado por resultados, e existe um circuito forte de retroalimentação. Funcionou? Não. Bem, vamos fazer diferente da próxima vez. Vendeu bem? Não. Então vamos fazer diferente da próxima vez. Eu queria unir esses dois lados. Gostava dos processos e sistemas do mundo experimental, mas também da atitude com relação a efeitos que existia no pop; queria que as ideias fossem sedutoras, mas também os resultados.

Artes plásticas

Na minha casa, em Oxfordshire, há uma grande e bela escultura de Pégaso com asas azuis de vidro, feita por Andrew Logan. Quando pego um táxi na estação, o motorista sempre comenta sobre ela, porque é muito vistosa. Um comentário que sempre ouço é “mas o que ela quer dizer?” Ou “o que isso significa?”, com base na ideia de que alguma coisa existe porque precisa dizer alguma coisa a você ou se refere a algo mais. Essa ideia me é estranha. Os primeiros quadros de que gostei foram os menos referenciais que existiam, de artistas como Piet Mondrian [holandês, 1872-1944]. O que me entusiasmava neles era o fato de não se referirem a nada mais -eram únicos, objetos carregados de magia que não obtinham sua força da conexão com coisa nenhuma.

Sintetizador

Uma das coisas mais importantes com relação ao sintetizador é o fato de ter chegado sem nenhum passado. Um piano chega com toda a história da música. Existe toda espécie de convenção cultural incorporada a um instrumento tradicional, para informar de onde e quando ele veio. Quando você toca um instrumento que não tem esse retrospecto histórico, basicamente você cria sons. Cria um novo instrumento. É isso, em resumo, o que o sintetizador é: um instrumento sempre inacabado. Você o completa ao alterá-lo, brinca com ele, decide como usá-lo, pode combinar diversas referências culturais em uma coisa nova.

Tecnologia

Os instrumentos soam interessantes não devido a seu som, mas por conta do relacionamento que o instrumentista tem com eles. Os instrumentistas desenvolvem um elo especial com os instrumentos, e é disso que eu e você gostamos, é a isso que respondemos. Se você decidisse agora projetar um instrumento novo, não pensaria em algo ridículo como um violão. É um instrumento estranho, muito limitado, não tem um bom som. Você criaria algo muito melhor. Mas gostamos, no que tange aos violões, é dos músicos que desenvolvem um longo relacionamento com eles e sabem como fazer com que produzam algo de belo. Não estamos nesse ponto ainda com os sintetizadores. Continuam a ser um instrumento novo. Renovam-se constantemente, de modo que as pessoas não têm tempo de desenvolver um longo relacionamento com eles. Assim, você tende a ouvir mais a tecnologia e menos o elo pessoal. Com isso, podem soar menos humanos. Mas isso está mudando. E existe uma previsão que fiz alguns anos atrás e estou tendo o prazer de ver confirmada: os sintetizadores incorporam a inconsistência. Gosto da ideia de que uma nota possa soar mais alta que a nota ao lado.

Música ambiente

Uma maneira de fazer música nova é imaginar que você está contemplando o passado e pensar formas de música que poderiam ter existido. Por exemplo, free jazz do leste da África, que, até onde eu sei, não existe. Foi assim que a ambient music emergiu, até certo ponto. Meu interesse em fazer música era o de criar algo que não existisse e que eu gostaria de ouvir. Uma das inovações da ambient music foi deixar de lado a ideia de que era preciso letra, melodia ou batida… Por isso, de certa maneira, era uma forma de música criada pela exclusão de coisas, o que pode ser uma maneira de inovar. Em meados dos anos 1970, todos os sinais já estavam no ar em torno da ambient music, e outras pessoas estavam trabalhando de forma semelhante. Eu simplesmente criei o nome. E era isso exatamente que faltava: um nome. Dar o nome a alguma coisa pode ser o mesmo que inventá-la. Ao batizar alguma coisa, você faz diferença. Você declara que, a partir daquele momento, a coisa é real.

Tradução de Paulo Migliacci.