Economizando na terapia com música brega…

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Posted on : 30-11-2009 | By : festinhabobanoape

Estava sozinho no táxi. O motorista olha pra minha cara pelo espelho e troca de estação:  flashback da Antena 1. O que foi que eu fiz? Tudo o que eu disse foi “ba-ru-e-ri” e ele se sentiu no direito de me expor ao potencial imprevisível da minha cultura  brega. E, quando você menos espera, bingo, se pega franzindo a testa com um sorrisso meio sem graça relembrando aqueeeeeeeeeela música brega que não ouvia há décadas. Sim, ele conseguiu, todas aquelas músicas moderninhas, sites especializados e suas críticas visionárias são espelidas pelo cano de descarga e você fica ali sozinho no banco de trás com sua breguice interior nostálgica e melosa…

É, por mais doloroso que seja aceitar, todo mundo tem sua música brega preferida. O problema é que em público não é tão fácil de admitir. Uma música brega tocada num elevador lotado, na sala de espera do dentista ou numa churrascaria rodízio terá seus efeitos psicoterápicos reprimidos. Porém, se essa mesma música é tocada na hora certa, aquela hora em que todas as pessoas em volta sabem que é legítimo liberar seus sentimentos abafados, parece que todo aquele acervo de canções bregas reprimidas nos últimos mêses são liberados numa catarse coletiva.

Foi assim que reencontrei Daryl Hall & John Oates, dupla de compositores que emplacou vários Top 10 e 19 Discos de Ouro e Platina no iníco da década de 80. Com certeza você os conhece  e ainda não se deu conta: Maneater, Kiss On My List, Say It Isn’t So, I Can’t Go For That, Adult Education, entre outras…Não bastasse este reencontro no táxi, uma semana depois, assistindo a “500 Dias Com Ela”, após uma cena em que o protagonista dorme pela primeira vez com sua namorada, assisto a esse clipe acima e, junto com todo o cinema, estampo um sorrisso no rosto. Não havia música e clipe mais perfeitos para aquele momento! Pronto, o lado brega da força havia sido liberado! Rato de créditos que sou, fiquei até o fim do filme para descobrir que lá estavam eles de novo me assombrando pela segunda vez em menos de uma semana.

Este post é o meu momento de exorcismo de Darryl Hall & John Oates, que são bregas, que eu gosto (sim, sei o que estou dizendo, é quase como se admitisse gostar do Sullivan e Massadas – mas não chega a esse ponto!), mas pra escutar no máximo 1 vez por ano.

Quer mais? O site oficial dos caras fica aqui e você pode ouvir trechos de alguns dos seus hits aqui.

Rosemary e Freddie Mercury? Não, Hall & Oates… Rosemary e Freddie Mercury? Não, Hall & Oates...

Comments posted (4)

Toda banda já fez um brega. Lembrei dois casos que eu adoro:
Titãs – Sonífera Ilha
Stones – You don’t have to mean it

A Antena 1 deve deixar o CD de hits deles no repeat e pronto… mas confesso que Meneater eu ouviria mais de uma vez por ano!

Mr. Xico, com certeza, também adoro “Sonífera Ilha”, a dos Stones vou atrás pq essa eu não conheço. O problema é que Hall & Oates não sabem fazer outra coisa!

Mr. Sérgio, ok, pra Maneater vou abrir uma exceção: 2 vezes por ano e 1 vai ser no seu aniversário!

Abs!

Ra! Olha o que o Brian Eno falou numa recente entrevista:

Nos anos 70, ninguém admitia gostar do Abba [banda sueca]. Agora, tudo bem. É tão kitsch. O kitsch é uma desculpa para defender o fato de que as pessoas sentem uma emoção comum. Se é kitsch, é como se você emoldurasse a coisa e sugere que está sendo irônico. Mas na verdade não está. Está mesmo gostando da música. Gosto do Abba. Já gostava na época e não admitia. O esnobismo da época não permitia. Admito que, quando ouvi “Fernando”, não consegui mais guardar o segredo. O que me encantou nessa música foi a linha da cantora mais grave. Passei meses tentando aprender. Por isso deixei de ser cético e exagerei na direção oposta. Virei um grande fã.

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